Maria, inspiração e modelo do ser mulher 

Maria é uma expressão clara e pura do potencial de maternidade que toda mulher traz em si mesma

Foto: Pexels

Muitas são as características físicas e psíquicas que distinguem o gênero feminino do masculino. A maior e mais marcante é o potencial para a maternidade que somente a mulher possui. Ter um órgão no corpo capaz de gestar uma nova vida é próprio da mulher, uma particularidade que marca sua personalidade e seu jeito de ser. Somente ela possui o útero, esse órgão tão pequeno que é capaz de acolher uma semente e deixá-la transformar-se numa nova vida.  

Por isso mesmo, uma das características mais marcantes do ser feminino é a acolhida, a sensibilidade para cuidar, para integrar, para perceber as necessidades do outro e sair de si para ajudá-lo. É próprio do feminino ser mais sensível e aberto às pessoas. É claro que em cada mulher essas características se expressam de formas diferentes. Em algumas são mais evidentes que em outras.  

Segundo a psicóloga Erika Lopes Pinheiro Nogueira, de Dourados (MS), toda mulher carrega em si o potencial de maternidade. “A mulher, de uma forma muito simples e natural, acolhe, inclui, cuida. Ela tem sempre um olhar que percebe a necessidade do outro, é sensível as suas necessidades, protegendo, unindo e integrando. Ela tem a capacidade de auto transcendência, de sair de si”, disse Erika.

Foto: Cathopic

O potencial de maternidade em Nossa Senhora

Maria, a mãe de Jesus, trazia em si todas essas características do gênero feminino de forma muito evidente. Mesmo que os Evangelhos falem pouco sobre Maria, é muito nítida a sua feminilidade maternal. Ela já aparece no Evangelho sendo interpelada pelo Espírito Santo para uma missão divina, à qual ela se entrega inteiramente: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim, segundo a tua palavra” (cf. Lc 1,38). Em seguida, ela vai ao encontro da prima gestante para ajudar em suas necessidades até o momento do parto (cf. Lc 1,39-56).

“Maria é uma expressão claríssima, puríssima, da capacidade de maternidade. Nela, todos os valores e peculiaridades de uma mulher se expressam de forma simples e natural”, relatou Erika. O sim de Maria é provado pela permanência, pela fidelidade, pois ela esteve com seu filho Jesus até o fim e depois se integrou ao grupo dos apóstolos. “Maria tem todas as características da maternidade: acolhimento, partilha, cuidado, a doação total de si. Ela é plenamente doação. Ela nos ensina, a todo momento, a ir além, a transcender. Maria é a nossa referência, nosso modelo mais claro, simples, palpável e inequívoco. Ela é o modelo de mulher e mãe”, disse Erika. 

A maternidade na mulher que não gerou filhos  

Algumas mulheres, por vocação religiosa, por razões profissionais, ou por algum impedimento de saúde não geram filhos em seu ventre. Isso, porém, não as priva daquilo que é próprio da mulher, que é fruto do potencial da maternidade que ela traz em si mesma. Em muitas mulheres consagradas, solteiras e até mesmo casadas, as características do feminino e da maternidade se expressam de muitas formas.

Foto: Cathopic

As mulheres que não geraram fisicamente seus filhos, expressam a maternidade na sua profissão, no seu trabalho pastoral, nas suas amizades e nas suas relações em geral. São mulheres que trazem em si a perspicácia da atenção às necessidades do outro, possuem a atitude de acolhimento, de incluir, de integrar, de cuidar do outro, de proteger, e tem essa tendência natural de se doar e sair de si.   

“Quantas mulheres, quantas consagradas religiosas, por meio dos seus trabalhos geram tantos filhos espirituais e afetivos. São mulheres que se realizam plenamente no seu potencial de maternidade. Podemos pensar em tantas professoras, que são mulheres solteiras, leigas, que exercem a profissão doando tudo de si e geram filhos no processo do saber”, disse Erika.  

 Acolher o dom da maternidade

A mulher que compreende e acolhe a maternidade como um dom, uma dádiva única que a caracteriza em sua essência, tem a possibilidade de ter gestações mais tranquilas e, consequentemente, filhos mais saudáveis.

Do ponto de vista psicológico e espiritual, todo bebê, desde a sua concepção, já é um ser humano integral. Ele possui uma dimensão física, psíquica e espiritual e se relaciona com a mãe desde o primeiro instante. Aliás, a mãe é a primeira pessoa com quem essa nova vida vai manter uma relação.

“Se a mãe tem consciência desse processo, a relação com o bebê ficará mais preservada, mais cuidada, pois será uma relação mais pura e possibilitará um vínculo mais saudável entre mãe e filho. Dessa forma, se evita alguns equívocos na relação materna. Por exemplo, quando a mãe não tem essa consciência, ela fica mais fechada em si mesma, preocupada apenas com suas necessidades e suas dores, e acaba esquecendo da criança. Isso faz com que ela tenha dificuldades, futuramente, de estabelecer um vínculo de um amor mais saudável e mais livre com o seu filho”, relatou Erika.

 O projeto: Mãe Amável

O Instituto Católico de Psicologia e Pesquisa (ICaPP) criou o projeto: “Mãe Amável”, no qual realiza encontros com mulheres gestantes e não gestantes, que desejam se preparar para a maternidade, com a finalidade de contribuir na promoção da saúde integral do filho durante todo o período intrauterino que tem grande repercussões para toda a existência.

Ao longo de oito anos, psicólogos e médicos do ICaPP vem ajudando mães a acreditar no potencial da maternidade e gestar seus filhos de forma livre e saudável. Uma dimensão que transcende o nível humano, pois toca também a dimensão espiritual.

“Ajudamos as mulheres a acolher o chamado à maternidade, a viver isso de uma forma mais plena, mais íntima, desde o primeiro momento da concepção do bebê. Claro que tocamos também a dimensão espiritual, no campo da fé, porque isso ajuda a mulher a tomar consciência da sua vocação e missão. Nesse projeto, recebo o feedback de muitas grávidas, dizendo que se sentem mais próximas a Deus, mais abertas à vida, mais seguras da sua missão e isso repercute também na relação conjugal, gerando mais comunhão com o esposo”, relatou Erika.

Para conhecer o projeto “Mãe Amável”, acesse: https://icapp.org.br/projetos/

(Texto: Karina de Carvalho – Jornalista)

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