Cuidar da vida desde o ventre materno: essa é a proposta do Projeto Mãe Amável

Há oito anos, psicólogos e médicos do ICaPP vem ajudando mães a acreditar no potencial da maternidade e gestar seus filhos de forma livre e saudável

“Mãe Amável (PMA)” é o nome do projeto realizado pelos psicólogos e médicos do Instituto Católico de Psicologia e Pesquisa (ICaPP), desde 2013. O objetivo é ajudar as mulheres que desejam engravidar e as gestantes a se prepararem para a maternidade.

Surgimento do projeto

O projeto surgiu em 2010, quando o Dr. Ismael José Vilela, psicólogo e diretor do ICaPP, teve uma intuição a partir de sua experiência clínica. Ele percebeu que a maior parte dos sofrimentos e traumas das pessoas tinha a sua raiz no ventre materno, na relação intrauterina com a mãe. A partir de então, ele começou a refletir sobre como o ICaPP poderia colaborar, a fim de que traumas fossem evitados, ainda no ventre materno. O bebê, desde a concepção, se relaciona com a mãe de uma forma muito íntima, profunda e intensa e essa relação pode ser potencializada positivamente, possibilitando o nascimento de uma criança mais livre e saudável.

Assim, em 2010, Dr. Ismael lançou o desafio aos membros do ICaPP para que iniciassem um processo de estudo, pesquisando autores que já estudaram essa relação da mãe com o bebê, ainda no ventre materno.  A psicóloga Erika Lopes Pinheiro Nogueira, de Dourados (MS), conta que foram 3 anos de estudo e desenvolvimento do projeto: “Nós encontramos um material riquíssimo de um médico pediatra da Argentina, no qual investigava a grande relação que acontece da mãe com o bebê na fase intrauterina. Então, percebemos o quanto poderíamos colaborar para que a gestação das mães fosse algo mais saudável. A grande inspiração desse projeto foi a de buscar uma forma de ajudar na prevenção, a fim de que as crianças pudessem nascer mais livres”.

Realização do Projeto Mãe Amável

Após esse período de estudos, que pode ser considerado a “gestação” do projeto, ele começou a ser aplicado. Entre os anos de 2013 a 2018, o projeto desenvolvia-se com seis encontros semanais, sendo o último com a participação dos pais. A partir de 2018, abriu-se a possibilidade de realizá-lo, de uma forma mais intensa, num único final de semana. Dessa forma, muitas gestantes que não conseguiam comparecer durante a semana, poderiam participar.

1º encontro on-line, em julho de 2020

Com a chegada da pandemia, em março de 2020, surgiu um novo desafio: aplicar o projeto na modalidade on-line. Em julho de 2020, o primeiro grupo participou do PMA na modalidade on-line. Os encontros foram reduzidos para cinco, sendo excluído o último para os pais. Apesar da insegurança pela nova realidade, a surpresa foi positiva. “O grande benefício da proposta on-line foi que abriu para a participação de gestantes de outras localidades. Então, o psicólogo que abria um grupo podia atender gestantes de outras localidades e foi o que aconteceu, desde o primeiro encontro. Tivemos gestantes até de outros países, por exemplo, uma brasileira que morava na Dinamarca, depois outra que estava morando em Portugal e outra no Canadá”, contou Érika.

Desde o início da pandemia, o PMA tem sido realizado apenas na modalidade on-line. Os encontros são realizados pelas plataformas Zoom ou Google Meet, duram cerca de uma hora e meia, e tem possibilitado interação com boas e sinceras partilhas das gestantes. Além disso, após adaptação a essa modalidade on-line, o encontro com os maridos foi retomado.

Feedback das mães que participam do projeto

Desde o início do projeto, o feedback mais comum entre as mães é a segurança que elas adquirem quanto à maternidade. “Muitas delas chegam com aquele medo da maternidade, de não dar conta, de todos os novos desafios que surgem. Ao participar do projeto, as mães se sentem mais preparadas, mais seguras e confiantes no potencial da maternidade que elas já trazem dentro delas. Outro feedback muito comum é a melhora no relacionamento com o pai do bebê. Elas se sentem mais apoiadas e mais integradas com eles nesse processo da maternidade e da paternidade”, relatou Érika.

Outro resultado positivo que o PMA apresenta é para as mães que chegam por solicitação dos esposos, pois tinham resistências em engravidar, tinham dúvidas e medos. Muitas saem decididas pela gestação, convictas do potencial e da abertura à maternidade.

E o resultado mais gratificante do projeto é o relato das mães, após o nascimento dos bebês, dizendo que são crianças muito tranquilas e amáveis. “Ouvi uma mãe dizer que, por dois meses consecutivos, ela recebeu da escola o feedback de que o filho dela era uma criança muito amável. Então, as mães realmente potencializam essa capacidade de amar como mãe e elas colhem o fruto disso nas crianças”, disse Érika.

A originalidade do PMA

É um projeto preventivo. Busca a prevenção de traumas e doenças que vão se manifestar, muitas vezes, na vida adulta da pessoa. Então, o PMA ajuda as mães a tomar consciência de que estão gerando uma pessoa, que o bebê é uma pessoa plena, desde o primeiro instante da concepção e se relaciona com a mãe de uma forma profunda, sensível e intensa. “Ajudamos a mãe a compreender que o seu bebê já é uma pessoa, e não simplesmente um feto. Isso coloca a mãe numa consciência de uma relação de comunhão com o bebê, sendo possível intervir, melhorar e cuidar dessa relação, por meio de uma abordagem que orienta as mães a dialogar com o bebê sempre falando a verdade com muito amor e respeito, dentro do contexto em que ela vive. Por exemplo, se mãe está triste ou com medo, orientamos ela a falar para o bebê: ‘a mamãe está triste hoje, mas essa tristeza não é culpa sua tá, pode ficar tranquilo’. Se ela brigar com o pai, dizer ao bebê: ‘a mamãe ficou muito chateada com o papai hoje, mas a mamãe ama o papai e você não tem culpa nenhuma e logo papai e mamãe vão resolver isso’. Esse é o ponto principal, perceber essa realidade do ser humano, que já é integrado e inteiro, desde o momento da concepção, ou seja, que ele tem a dimensão física, psíquica e espiritual, desde o primeiro instante”, disse Érika.

Com o PMA, a mãe toma consciência da potência da maternidade, que ela traz, intrinsicamente, dentro dela. Assim, ela resgata esses valores íntimos e essenciais, próprios da mulher, em relação à maternidade, dando chance para que a criança evite alguns traumas ou dificuldades que são percebidos lá na frente, quando se trabalha com o adulto. A proposta do PMA é preventiva.

Para conhecer melhor o Projeto Mãe Amável e inscrever-se para participar, acesse: https://icapp.org.br/projetos/  

(Texto: Karina de Carvalho – Jornalista)

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