Homilia na inauguração da sede do ICaPP

Homilia do Cardeal Dom João Braz de Aviz na missa de inauguração da sede do ICaPP, em Curitiba (PR), no dia 26/11/2012. Palavras que dizem muito do que é o Instituto Católico de Psicologia e Pesquisa

Realizamos a inauguração da sede do ICaPP justamente na última semana do ano litúrgico (sábado que vem termina o ano da Igreja e começa o tempo do Advento); nesse período a gente olha, com toda a Igreja, para aquelas coisas que acontecerão no futuro. Sabemos que a história não é o caos, que o mundo não é o caos, mas é uma realidade muito grande, guiada por Aquele que é o único que detém todo poder, que é Deus; que a história,   a vida, as pessoas caminham numa direção de realização e aperfeiçoamento. A tal ponto esta estrada é segura que já a morte, o sofrimento, o pecado estão vencidos; são os grandes inimigos do homem e da mulher. Quem está na nossa frente, que garante este caminho, é o Senhor, que ressuscitou dos mortos pela própria força. Então a Igreja olha para esta realidade, para o futuro e sabe que está na história, construindo esta realidade do futuro.

Para nós, esta visão cristã é cheia de esperança;  mesmo os momentos em que as coisas são mais difíceis, nós nunca abaixamos os olhos no sentido de perder a esperança ou  a direção, não saber para onde nós vamos. Cristo crucificado e  ressuscitado é a nossa esperança, é o centro da nossa vida. E não foi criado por uma fábula humana ou pela cabeça de alguém, mas por Aquele que, desde o início, o gerou – o Pai – (gerado, mas não criado), Aquele que detém a vida: ‘eu sou a vida’.

Neste tempo então nós lemos o livro do Apocalipse  (o último livro do novo testamento) que  quer dizer ‘linguagem da revelação’, que o povo judeu usava; temos Ezequiel, Daniel e outros profetas que a usaram. Temos esse livro, que foi escrito por João, apóstolo, no tempo de sua prisão no exílio, na ilha de Patmos.  Escreve às igrejas da Ásia, que tinham recebido o evangelho e aos poucos algumas foram diminuindo na sua fé. Ele alertava-as para essa realidade grande, para que voltassem a esse amor primeiro. Aqui está a imagem do Cordeiro imolado, de pé, de cujo peito jorra sangue. É o símbolo de Cristo crucificado e ressuscitado. Ele está sobre a cidade de Jerusalém, que é a pátria de todos nós. Ele é a imagem que reúne em torno de si 144 mil (não são 144 mil – a medida é estreita), mas Ele une em torno de si todos aqueles que chegaram a conhecer o nome de Jesus e foram  batizados e se tornaram seus discípulos. E Ele ainda tem toda uma imensa  multidão que  talvez não chegará a conhecer quem é Cristo, mas que vive segundo a sua consciência, então segundo Deus.

Aqui encontramos uma palavra muito bonita que eu queria ressaltar: ‘cantar um cântico novo’. Os outros nunca conseguem cantá-lo.

O Instituto Católico de Psicologia e Pesquisa, penso eu, quer fazê-lo. Nós vimos que somente a ciência psicológica, sem o denominador comum que é a fé cristã católica não nos deixa cantar esse cântico novo.  Nós cantamos  o cântico do Cordeiro,  que vem de Deus, dos valores autênticos do homem, se nós tivermos o Senhor à nossa frente. Por isso, uma das marcas do ICaPP, desde os seus estatutos, é esta atenção constante à presença de Deus. Saber que todos nós somos discípulos de Cristo Senhor. Não só cada um buscando a Deus, mas somos um corpo; juntos buscamos a Deus.

Eu queria dizer, assim, o que é que nós viemos fazer, o que é que nós estamos procurando fazer. Talvez seja esta oferta  da moedinha do templo (referência ao evangelho do dia). Pode ser pouco, no caso da viúva, mas é tudo que ela tinha. Eu penso que o ICaPP é chamado a dar algo que é pequeno, talvez, mas que pode ser tudo que nós podemos dar.

Como Deus dirigirá essa realidade? Nós vamos percebendo pelo caminho que vamos fazer. Tomara que a gente nunca feche esta visão, este horizonte, dizendo ‘o ICaPP é isto’. O ICaPP está neste caminho, depositando a sua moedinha de oferta para a humanidade, moeda que é o seu serviço, que é testemunho do evangelho e competência na ciência psicológica.

Essas duas coisas precisam caminhar juntas.  Já partimos  de uma convicção de que aquilo que a razão produz e aquilo que a fé nos dá, não estão em contraposição; estão juntas e trabalham juntas. E não tenhamos medo de exprimir isso também nas nossas atitudes, nos nossos estudos, nas nossas pesquisas.  Essa é uma linha que é trabalhada muitíssimo na Igreja. A Igreja foi sempre grande expressão da humanidade e da razão porque foi também sempre conhecedora da razão e soube exprimir isso na fé.

Deus seja louvado por aquilo que significará essa moedinha daqui para o futuro, com o que nós vamos poder realizar.

Ainda uma coisa que podemos lembrar hoje é que queremos ser um corpo, onde cada um é parte do outro, onde cada um preenche um pequeno aspecto para formar, junto com o outro, o corpo, onde todos nós temos o nosso lugar. Hoje  é um pequeno grupo; amanhã será um grupo bem maior, se Deus quiser; mas todos nós formando um corpo, uma realidade bonita. Tomara que aqui neste centro as relações entre nós sejam muito iluminadas pela fraternidade explícita, pelo desejo de servir, pela maneira simples de ser, por pôr-se à disposição de verdade; a própria montagem da sede agora teve muito disso. O trabalho de vocês que estão mais perto, todo  devotamento que vocês tiveram  significa isto. Nós queremos que isto continue e se desenvolva”.

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