As fases do luto

*Texto: Dr. Jose Luiz de Lima (Médico pediatra)

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Todas as “quebras” na rotina estabelecida nos faz viver rupturas, que significam a vivência de um luto, como por exemplo: mudar de escola, de casa, de emprego, casar, descasar, aposentar, perda de um animal de estimação etc…

Sempre que passamos por perdas vivenciamos as CINCO FASES DO LUTO (que são inevitáveis para se chegar à superação). Para melhor clareza, reflitamos sobre o luto por morte de um ente querido, pois é um dos mais difíceis em nossas vidas:

I – FASE DA NEGAÇÃO:

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Quando chega a notícia do falecimento de alguém muito querido a primeira reação é negar que aquilo esteja acontecendo conosco. Muitas pessoas num acidente, chegam a ver seu querido morto, mas não “enxergam” – vão até o pronto-socorro procurá-lo lá!!!

Por causa desta negação, pensamos na hora da notícia: “será que não erraram de pessoa?”. E, mesmo após o enterro, passamos algum tempo acreditando que a pessoa está viajando, por isso voltará de novo; se atendemos o telefone achamos que talvez possamos ouví-la de novo… Se chega uma carta ou conta em seu nome… Enfim, passamos ainda algum tempo fortes porque estamos negando a perda, próximos e “agarrados à vida anterior” ao luto.

Permanecemos nesta fase quando ficamos guardando as coisas do falecido que poderiam ser utilizadas por outras pessoas necessitadas daqueles bens ou quando deixamos o quarto dele do mesmo jeito…

Não saímos desta fase quando tomamos remédios “calmantes” – grande perigo que a maioria dos médicos fazem e nem desconfiam que estão atrapalhando a seqüência normal de um luto! E acabam somente “espichando” mais esta fase. Remédios deste tipo devem ser tomados somente se tiver algum risco de vida imediato!

Tudo isto por achar que não vão suportar a fase seguinte que também é dura:

II – FASE DA REVOLTA (Raiva):

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Depois de se constatar que a perda é real e que negá-la não adianta nada, a segunda reação é rebelar-se, revoltar-se.

 A nossa tendência é nos voltarmos contra:

  • Os médicos, porque não fizeram tudo,
  • Contra parentes próximos e que não acudiram em tempo. Estes podem fazer o melhor num velório ficando quietos, só abraçar o enlutado!
  • Contra Deus, porque não podia ter levado aquela pessoa,
  • Contra o próprio falecido, porque nos deixou sozinhos,
  • Contra nós próprios, com as culpas (“se eu não tivesse feito isto”, “se eu não tivesse falado aquilo”, “se…, se…”). O sentimento de culpa é ainda maior se não vivíamos bem com o falecido
  • Porém, o mais comum é nos voltarmos contra alguém que elegemos inconscientemente, porque no fundo sabemos que pode suportar nossas dores do luto porque temos a certeza de que nos ama.

O problema é que a raiva da perda é demonstrada de forma camuflada, em situações do cotidiano, desfocada do problema real, quando “explodimos” por pouca coisa, deixando os outros perplexos.

É preciso entender que a raiva na verdade não é contra aquela pessoa, mas sim a liberação da revolta, da dor pela perda de alguém muito querido.

A revolta contra nós mesmos pode se manifestar quando deixamos de nos cuidar, quando vamos atrás de “emoções fortes”: jogar (bingo, baralho, loterias…), beber ou comer demais, fumar ou usar drogas (mesmo as “legais”), procurar desesperadamente um outro parceiro sem os critérios “divinos” etc…

III – FASE DA DEPRESSãO (Isolamento ou Apatia):

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É a fase mais difícil porque vivemos aquela sensação de que nada na vida vale a pena, a vida não vale a pena, não conseguimos vislumbrar uma luz no fundo do túnel…! É quando tendemos a nos isolar, a não querer sair, a querer ficar quietinho em nosso canto.

A televisão e seus programas contribuem para aumentar este isolamento e a falta de esperança. Ela mostra desgraças e é justamente disto que você quer fugir nesta hora! Fuja também dos palpiteiros, aproveitadores e conselheiros “de plantão”… Por conta deste “rio” de ruindades, vale a pena conhecer o “jogo da culpa” que pode se instalar neste período:

Sim, quando nos fazemos de “vitimas”, cheios de “auto-piedade” é como se “descêssemos” da ponte pênsil e nos instalássemos numa “ilha” que vai dar em nada. Queremos, muitas vezes, que venha um monte de gente nos “salvar”, nos visitar, nos consolar, que tenha “dó” etc… Cristalizamos esta posição quando ficamos sempre culpando alguém de nossa situação.

Na verdade, não queremos enfrentar a subida desta ponte que exige uma certa disponibilidade ao Plano de Deus para nós e também para o falecido. Também somos vítimas quando temos medo de enfrentar toda e qualquer situação…Quando temos medo de nos sentir culpados…

Jesus já carregou todas as nossas culpas e pecados! Ele nos torna “limpos” todos os dias – esta é a grande novidade da “Boa Nova”, o Evangelho!

Os sinais de que estamos nesta parte da “descida” da ponte (fase da lamentação) são: a ausência de sonhos com o falecido ou sonhos negativos. Se isto estiver ocorrendo procure celebrar missas/cultos ou orações por você e por ele – a ligação espiritual com ele é eterna! Ninguém tira!

O positivo desta fase é que “pior não fica” e que estamos caminhando para a superação desta perda.

IV – FASE DA ACEITAÇÃO (Conformação):    

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Esta fase chega quando entendemos que todo sofrimento que passamos não vem de Deus, mas ELE se aproveita das nossas falhas para nos ajudar a crescer. Aí então vemos que o Plano de Deus é um Plano de Amor para nós e que valeu termos nos sacrificado para UM BEM MAIOR! Todo sofrimento, com e por Amor, é Libertador.

Chega-se nesta fase quando acreditamos que devolvemos e não que perdemos este ser querido!

A morte significa “nossa Páscoa” = passagem da escravidão para a “terra prometida”! E Deus sempre nos leva no melhor momento! 

O melhor modo de se chegar nesta fase é começar a fazer coisas que o falecido gostava de fazer: algum tipo de trabalho ou lazer, leituras, jardinagem, pescarias, músicas, artes, esportes…

Demora-se cerca de um ano para chegar nesta fase, pois vão se passando todas as datas especiais do ano anterior nas quais o ente querido estava junto.

Fica muito mais fácil chegar nesta boa fase estando num grupo. Existem diversos grupos de Entre-Ajuda nas cidades de porte médio ou grandes. Se não tiver procure formar um…Que tal um grupo de Enlutados? Comece um grupo com mais um ou duas pessoas, que Deus se encarrega de lhe encaminhar outros, certamente!

Todas as pessoas que chegaram nesta fase, começam a ter sonhos bons com o falecido e muitas vezes até sonhos premonitórios, isto é, sonhos de avisos para desviar de maus caminhos! A oração nos faz desviar destes caminhos errados!

Quando estes sonhos acontecem, também é um grande sinal que temos mais um intercessor no céu, olhando por nós!!! Que privilégio!!!

A leitura de bons livros e revistas nesta fase ajudam bastante: PINGO de LUZ (I e II) da Editora Vozes; “NÃO MORRA COM SEUS MORTOS” Ed. Paulus; “FAÇA AS PAZES COM A VIDA” Ed. Saraiva; “A MORTE NA FAMÍLIA” de Lily Pincus…

Faça uma lista de coisas e momentos bons que viveram juntos – que tal escrever tudo? E não deixe de freqüentar a sua igreja, fortalecer-se na fé

V – FASE DO “SALTO ADIANTE” = (Passo à Frente):

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Esta fase acontece quando conseguimos fazer planos para a vida novamente – todos que já estão com Deus querem que continuemos felizes! Chegamos nesta fase também quando usamos o nosso luto e as nossas experiências de vida para ajudar os outros que muitas vezes estão passando por lutos semelhantes.

Quando usamos as nossas experiências negativas de vida e as aplicamos para ajudar outros, aí então estamos chegando na Plenitude, na maturidade de vida. Este é um estágio onde poucos sofrimentos ou mesmo nenhum outro nos abala, nossa Fé se fortalece e nos sentimos Co-criadores do Reino Definitivo! Filhos do Criador!

Quem chega nesta fase fica mais fortalecido, “vacinado” contra muitos outros sofrimentos e lutos que a vida nos “oferece” ou nos surpreende!

Aliás, durante toda a nossa vida temos diversos lutos e diversas “pontes” destas:

  • Quando saímos do seio de Deus, na concepção e viemos para este mundo;
  • Quando saímos do útero materno;
  • Quando saímos do colo materno/paterno e temos que “nos virar” sozinhos;
  • Quando saímos da família para a escola;
  • Quando saímos da infância para a adolescência;
  • Quando saímos de casa para morar fora;
  • Quando saímos da adolescência para a vida adulta;
  • Quando perdemos a juventude e chegamos à maturidade;
  • Quando saímos desta vida para a definitiva!!!

(Fonte: https://joseluizlima.wordpress.com/2019/01/16/as-fases-do-luto/ )

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