Discurso feito pelo Dr Ismael Vilela, por ocasião da inauguração da sede do ICaPP em novembro de 2012

Estamos aqui reunidos nesta tarde de uma segunda-feira para  inaugurarmos a sede do Instituto  Católico de Psicologia e Pesquisa. As palavras não são suficientes para revelarem o que vai no coração  de cada um deste grupo. Vale a pena voltarmos ao início, mais exatamente aos dias 16 e 17 de dezembro de 2006, quando um pequeno grupo de 10 pessoas ( dois médicos, uma assistente social, uma estudante de psicologia e seis psicólogos psicoterapeutas) se reunia numa fazenda próxima a Jacarezinho . Já  nos conhecíamos e saíamos de experiências vividas em momentos e locais diferentes: em Belo Horizonte, de um lado, em Ponta Grossa e Maringá do outro lado.

Nesse encontro recebemos uma carta de Dom João , então arcebisbo de Brasília, que nos falava de bênçãos  de Deus, de águas profundas, de planos de Deus para nós.

Entendíamos essas palavras a nosso modo: águas profundas nos sugeria inconsciente mais profundo; planos de Deus nos pareciam os nossos planos; bênçãos era como se tudo já estivesse sido resolvido.

Passaram-se seis anos, em que realizamos doze encontros, vários mini encontros, tantos e-mails, tantos telefonemas, tantas visitas. Hoje olhamos para trás e vemos essa minúscula história, mas suficiente para percebemos que fomos arrancados de nós mesmos, de nossos planos, de nosso entendimento, de nossas certezas. Vivemos um pequeno êxodo, em que saímos de nós mesmos  e estamos sendo conduzidos para uma terra nova, diferente daquela que imaginávamos.

Passamos pelas categorias da relacionalidade e da reciprocidade para chegarmos à categoria de comunhão. Sem desconsiderarmos as profundezas do inconsciente, mergulhamos nas águas profundíssimas do mistério da Trindade. passamos pela cura para chegarmos, pouco a pouco, à experiência de entrar nas fraturas e abraçar o sofrimento.

Foi e tem sido um êxodo duro e aparentemente incerto, porque tínhamos que sair de nós mesmos e de todas as nossas certezas, para crermos em algo que não nos era claro, mas que no entanto nos fascinava e continua a nos fascinar.

Hoje nós nos mostramos. Mostramos nosso coração  católico, que quer ser universal, aberto a todos, já que todos sofrem. Queremos ajudar as pessoas a restabelecerem as relações quebradas. Queremos ajudar as pessoas a purificarem o sofrimento de tudo quanto não é sofrimento, mas que pesa sobre o ser humano. Queremos servir à humanidade com o nosso amor, fiéis ao evangelho, ao qual escolhemos como regra de vida. Queremos servir à igreja, nossa mãe, de quem recebemos a fé através dos ensinamentos do magistério, da santidade e do sangue dos mártires. Queremos que os outros, ao nos procurarem possam dizer ” vede como eles se amam”.

Para terminar, gostaria de me referir ao comentário que Klaus Hemmerle, bispo alemão, faz à escola Abba, criada por Chiara Lubich. Assim diz ele:” Chiara Lubich nos colocou em uma escola de vida que, entretanto, é ao mesmo tempo uma escola de teologia”.  O ICaPP quer ser uma escola de vida na qual se possa aprender também um pouco de psicologia e de psicoterapia.

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